‘Gloria Maria foi a minha Kate Winslet’ – Entretenimento – Zonatti Apps

‘Gloria Maria foi a minha Kate Winslet’ – Entretenimento


Eu não tenho uma super-super-história com a Gloria Maria. Na verdade, ela não saberia dizer quem eu sou se ouvisse ou lesse meu nome por aí. Mas, mesmo sem saber, ela me chancelou para a vida toda como repórter. E me fez abrir portas para sempre — inclusive para chegar até aqui, escrevendo este texto.


(pensando bem, só com isso, acho que já tenho algo super para contar, não é?)


Quando eu comecei a trabalhar como jornalista, ali no primeiro ou segundo ano de faculdade, atuei como repórter em um site de celebridades. E a Gloria Maria tinha acabado de deixar a apresentação de um famoso jornalístico, em um movimento que a imprensa de televisão da época considerou polêmico — ou queria encontrar polêmicas para falar sobre aquilo, enfim.


Gloria não estava falando sobre esse assunto com ninguém. Falava apenas oficialmente, por meio da assessoria da emissora de TV.


Mas, em meio aos não ditos (e muito escritos), Gloria Maria iria a um desfile de moda. E eu também iria — não por ela, mas porque começava a me aventurar pelo jornalismo fashion. E me lembro direitinho de contar na redação que a apresentadora estaria no evento da minha pauta, e de ouvir o sincero conselho: não chegue perto dela!


As orientações foram de que a Gloria seria muito reservada, firme com a imprensa (“grossa”?), e eu, obviamente, seria destruída ao tentar falar com a famosa — especialmente porque eu queria perguntar sobre a saída do programa de TV, um assunto sabidamente proibido.


Eu, novinha de tudo, cara de boba (porque de fato o era), tímida demais, seria um prato a ser devorado por Gloria Maria, se pisasse em um calo qualquer. Pouca pressão.


Bem, sem enrolação, eu fui ao evento. Eu falei com a apresentadora sem fazer nenhuma marcação prévia. Ela foi gentilíssima comigo. Comentou o tal assunto intocável sem problemas. Deu uma aspa boa e um pequeno furo para a jovem e nervosa repórter, que voltou saltitante para a redação. Era o quê, minha segunda entrevista profissional em voo solo? Ninguém mais falou com ela, só eu. A primeira pessoa a quem ela respondeu sobre o tema tão “assombrosamente polêmico”.


Tolinha, naquele momento, achei que tinha um talento nato para falar com estrelas — ha-ha-ha. Nem pensei — o que sei agora — que Gloria é que poderia, sim, ser ótima, educada e generosa com jovens colegas de profissão.


Ali, Gloria me deu segurança. Foi exatamente como fez a Kate Winslet e a repórter em sua primeira entrevista, no episódio que vimos e aplaudimos recentemente nos tabloides e sites por todo o mundo. Gloria Maria me pegou pela mão e me guiou. Ela foi a minha Kate Winslet. Consegui outras matérias depois daquele dia, criando (com esse primeiro trampolim) coragem para fazer mais perguntas difíceis a famosos e outras personalidades por aí.


O mundo tem medo de mulheres fortes, já diz o clichê. Gloria provavelmente sabia da fama que tinha — especialmente naquele momento, antes das redes sociais, e quando celebridades pareciam (e eram?) mesmo seres inatingíveis. Mas eu não tive mais medo dela. Só uma grande admiração.


A gente tem grande impacto nos outros, né? E nem imagina! A mini-Bia ganhou essa curiosa história de começo de carreira para contar graças à gentileza de Gloria Maria em responder com duas frases, dar um sorriso, fazer um toque e um elogio. Foi assim. E será, para mim, para sempre.


Viva, Gloria! Me ajudou a me enganar direitinho. E eu só posso agradecer.

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