correligionários de Castillo perseguidos precisam provar inocência – Zonatti Apps

correligionários de Castillo perseguidos precisam provar inocência

Ollanta Humala

A segunda, quando Ollanta Humala – um Comandante de pouca coragem e escassa fibra – ameaçou retomar esse caminho e atualizar as reformas de 1968. Nessa circunstância, o medo que escalpelou o corpo à casta oligárquica durou pouco porque o fardado de Locumba, mostrou logo suas precariedades, incoerências e limitações. 

A terceira, foi mais recente. E se registrou quando um simples professor de Escola primária, provinciano e com apenas uma episódica experiência sindical, assumiu o governo depois das eleições celebradas entre abril e junho do ano passado. Esse medo dura até agora. E explica, certamente, o que hoje se registra no cenário nacional. 

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Nos últimos dias ocorreu o que bem podia ser considerado uma espécie de alívio fiscal. Como se tratasse de uma novela de Dostoievski, começou com a revista policial a uma moradia habitada pela mãe do chefe do Estado, uma anciã recentemente operada que entrou em crise diante do inusitado incidente.

Na verdade, se tratava de um fato esperável. Já havia sido interditada e encarcerada a filha do Mandatário, acusada sua esposa, perseguidos seus sobrinhos, enfim, o clã familiar encurralado com um só propósito: arrancar uma declaração incriminatória contra Pedro Castillo. 

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Depois viria outra ação: a intervenção nas moradias e escritórios de 11 amigos e colaboradores do Chefe do Estado e a detenção de cinco deles, acusados todos de serem integrantes de uma Organização Criminosa que opera a partir do Palácio do Governo sob a liderança do governante. 

Também no caso, a medida respondeu ao mesmo esquema: Se defende Castillo, é por sua condição de membro da organização criminosa. Irá preso por duas ou três décadas e poderá apodrecer no cárcere. Em troca, se “colabora conosco” e o acusa, te daremos a proteção que tanto anseia.

Agressão contra “as crianças” 

No mesmo marco produziu-se a agressão contra “as crianças”, os parlamentares da Ação Popular que se negaram a votar a vacância quando ela foi apresentada. Os acusam, então, de integrar a organização criminosa. Revistaram suas moradias e seus escritórios, e os ameaçaram com a cassação parlamentar para substituí-los pelos que aceitassem. 

No caso, funcionou um esquema similar: Passará muito mal se defender Castillo. Pelo contrário, se o acusa, será “colaborador eficaz” e ficará livre de toda suspeita. 

Se poderia chamar de chantagem a tudo isso que se exerce contra familiares, colaboradores, amigos e parlamentares renuentes a somar-se ao circo da Máfia? Ou talvez extorsão? 

O que surpreende é que a Promotora da Nação tenha permitido, sem dúvida, que não é tarefa dela assumir a presunção de inocência. Ela só admite a culpabilidade. E à sombra de tão lúcida interpretação jurídica, sua adjunta Barreto sustentou que, “se os acusados dizem ser inocentes, terão que prová-lo”.

Uma maneira rotunda de inverter a administração da justiça: se pode acusar a alguém de qualquer coisa, e ele, em todo caso, terá que provar que é inocente. Nem no Direito Romano as Cônsules assumiram essa burla!

Fechando o círculo 

Fechando o círculo, a Promotoria apresentou ante a Mesa de Partes do Congresso a “Acusação Constitucional” contra Pedro Castillo. O todo poderoso Oficial Maior, convertido em fazedor de tudo, remeteu de imediato à Sub comissão de Acusações Constitucionais, sem haver passado sequer pela Mesa Diretora do Congresso. 

Só omitiu dar-lhe 24 horas de prazo para que faça sua a acusação fiscal, a fim de que ninguém creia que seus integrantes são – todos – “membros da Organização Criminal”. 

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E se fosse pouco, o Plenário do Congresso resolveu “interpelar” o chanceler Landa como se os parlamentares não soubessem que a Política Exterior é de exclusiva responsabilidade do Presidente da República. Eles o sabem, certamente, e por isso o acusam pelo que disse Castillo na ONU: as Malvinas são argentinas. Saharaui é uma República. Os Palestinos têm direitos. Em que país do mundo haverá ocorrido um fato igual?

E claro, nesse marco, a TV resplandece com inflamados apelos alentando a vacância, mas já! O medo não os deixe viver.

Não é o Ouvidor Zárate o único que escreve cruzes por três razões. O medo triplicado também queima os neurônios à Máfia Fujiaprista. Não há dúvida! 

Gustavo Espinoza M* | Colaborador da Diálogos do Sul em Lima, Peru
Tradução: Beatriz Cannabrava


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